domingo, maio 01, 2016

Historias de uma infancia Tabajara - O TK no saco de arroz


Toda vez que acaba o saco de 5KG de arroz aqui em casa eu lembro dessa historia. Hoje vou conta-la pra voces.

La pros idos de 1980, tinha um vizinho, esposo da irma de uma amiga da minha mae. Era o Gilmar Bombeiro. Ele era sargento do corpo de bombeiros, mas um homem muito inteligente e regrado. E como todo cara inteligente da epoca, era interessado nessa revolução chamada "computador pessoal" e comprou seu TK82C, depois TK83, depois TK85, e no final, TK90X.

Graças ao Gilmar eu vi pela primeira vez um computador bem de pertinho. Pude digitar meu nome, jogar TK-Man e ver varios aplicativos que, pra mim, era coisa de filme de ficcao cientifica. Um luxo! Alias, ele tinha uma coisa que eu nunca mais vi pessoalmente: Um gabinete de DGT-100 (ou replica) com um teclado feito de teclas mecanicas, com capinhas transparentes para colocar um papelzinho dentro com as funções da tecla. Era MUITO legal.

O Gilmar era um cara inacreditavelmente organizado, pra tudo tinha notas, minunciosamente organizadas. Nao era ligado a tendencias - todos tinham videos VHS, ele tinha Betamax. A imagem era MUITO melhor. E me lembro que, para guardar os computadores, que tinha varios, e nao pegar poeira, ele usava prosaicos sacos de arroz usados. Sim, aquele troço que custava uma fortuna, ficava protegido da poeira (e da umidade, a casa dele era no subsolo, e muito umida) por um simples saco usado de arroz de 5KG.

Era um grande amigo, incentivador e, porque nao, professor. Morreu novo, pregando no quartel - era profundamente religoso, um Mormon. Durante uma pregação, sentiu uma forte dor de cabeça e ficou por ali mesmo. Mais um amigo que se foi pela praga do aneurisma cerebral. Forte que nem um touro, se alimentava com cuidado, tinha pesada e rigida rotina de exercicios. E mesmo assim foi novo, nao me lembro bem porque eu era muito novo, mas tinha coisa de 40, 45 anos de idade.

Fica aqui a minha homenagem a um grande amigo que, dentro das suas limitações e simplicidade, foi um grande cara pra todos.

Uma historinha engraçada pra fechar:
Como eu conhecia o Gilmar desde muito novo, OBVIO que eu ainda nao falava ingles - e ele falava fluentemente. E vivia me zoando em ingles. Passados alguns anos, ja falando razoavelmente bem a lingua da rainha, enchi-me de coragem e fui ate a casa dele. Chamei-o em ingles e passamos boa parte da tarde conversando em ingles...

...Ate quando ele se despediu de mim. Em alemão.

Vamos começar tudo de novo :o)

Parenteses:
Era muito amigo do Paulo / Vieira da Arcade, la na rua Jacê. Seus filhos se chamam Gilmar e Tatiana. Moravam na parte mais alta da rua Jurucê. Talvez algum dos meus amigos tenha conhecido-o

Agradecimentos ao Rafael Rigues pelo TK90X da foto :oD

2 comentários:

Luciano disse...

Ráh... do lado de cá, saco de arroz vazio, lembra escola. Sim... como todo bom pobre, usávamos sacos de arroz recortados pra encapar livros e cadernos. :)

Antonio Almir disse...

Hoje, como meus alunos ganham os livros, eles "podem" destruir à vontade...