quarta-feira, abril 27, 2005

Desabafo eleitoral (é velho, mas ta valendo)

3 de outubro de 2004, dia das "eleições" aqui no ES

Eu começo este post com um pensamento de um grande pensador, que eu nao faço a minima ideia de quem seja. Se foi Aristoteles, Platao, Sofoceles ou o Seu Jorge, eu nao sei. Mas eu li isso em um TVKX (historias que tinha na revista "Antenna - Eletronica popular") de 1900 e bolinha, um dos personagens citando esta fala. E se aplica muito bem ao dia de hoje.

"Cada vez que vou aos homens, volto menos homem."

Nao, nao troquei de sexo, mas fui justificar meu voto.

A zona (!) eleitoral fica a uns 500 metros da minha casa. Sendo carioca, até hoje nao mudei minha "residencia eleitoral" pro ES, até porque me é bastante comodo nao ter que votar em nenhum dos candidatos. O primeiro erro, que me causa um profundo mau humor: Sou obrigado a escolher, dentre um grupo, qual vai ser "o homem". Tudo bem, eu posso fazer parte desse grupo, mas nao me agrada ser OBRIGADO a ir a uma zona (!) eleitoral, para apertar o botaozinho "anula". E olha que pra votar no Lula, eu viajei até o Rio de Janeiro só pra poder votar no homem que eu sonhava que um dia poderia ser presidente da nossa nação. Descobri que minha escolha nao foi das mais certas. Mas poderia ter sido pior. "Dever civico" é meus transistores.

No caminho, uma rua IMUNDA, abarrotada de papel. Papel de boa qualidade, alguns papel couche (aquele da folha das revistas mais caras, tipo veja...isto é...epoca, etc) outros papel comum, mas impresso com altissima qualidade, em 4 cores, alguns com verniz UV. Resumindo: UMA FORTUNA jogada na rua. Lixo. Vai ser reciclado em papel higienico da pior qualidade. Aquele que quando voce olha, tem letrinhas. Bem que podia ter a cara dos candidatos hehehe

Centenas, milhares de pessoas com camisas "do candidato". Algumas com aquelas camisetas de papel. Outras, hering da melhor qualidade. Camisas que vao durar anos de uso esporadico, ou até mesmo diario.

Chegando na zona (!) eleitoral, aquela bagunça toda, gente que visivelmente ja tinha tomado uns goles (ei, cade a lei seca???) e entro na seção de votação. Vejo mesarios, fiscais, aquela turma que fica lá...Que foi "convocada" em nome da nação, a trabalhar em um emprego chaterrimo num DOMINGO, que nao vai ganhar um misero tostao pra ficar lá e, se há alguma compensação - se é que voce pode chamar assim - por esse esforço, vai ser um, dois ou quatro dias de folga. Note: DIAS DE FOLGA. Ou seja, imaginem quantos presidentes de seção, mesarios, fiscais, etc...vao DEIXAR DE TRABALHAR (= deixar de produzir) por causa dessa bagunça eleitoral.

Tudo bem, escolhi a zona (!) mais vazia, informei-me como eu poderia "justificar" meu voto e rapidinho preenchi o papelzinho, a moça digitou o numero do meu titulo na maquininha e o processo estava terminado - trouxe o comprovante e cumpri minha "obrigação civica" de nao escolher nenhum dos caras que estao ai, pra ganhar uma fortuna e nao fazer nada pelo povo.

Ai me veio um pensamento a cabeça:

Tem um tal de "Camilo" que pintou o bairro todo com o nome dele, fez comicios com o "trio Só Xotao" (Se eu fosse musico desse trio, o que eu diria pra minha filha? "Filha, seu pai toca no So Xotao!"?!?!?!) e gastou uma verdadeira fortuna em tudo quanto é especie de propaganda eleitoral.

Se esse distinto senhor pegasse esse dinheiro todo e:

  • Ou reformasse o centro comunitario de guaranhuns, que ta caindo aos pedaços

  • Ou construisse uma escola "centro de aprendizado basico" pro pessoal da invasão

  • Ou reformasse nossas pracinhas, com brinquedos educativos

  • Ou criasse um restaurante popular, com o nome dele, com comida a 1 real pra galera la de dentro da invasao

Será que nao seria muito mais bonito do que pintar o bairro todo com o maldito nome e a cara feia dele?

Ah, obvio, os estabelecimentos comerciais estao abertos, vendendo cerveja e cachaça a vontade. Com policiais na porta.

Como posso terminar esse post? Nao sei. Só sei que fui ao meio dos homens, e voltei menos homem. E nao é no sentido homossexual da coisa que estou falando.

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