segunda-feira, maio 23, 2016

Historias de uma infancia Tabajara: O Telefone Celular

Eu nao posso reclamar que tive uma adolescencia "pobre". Na realidade, fui "muito rico". Bem entre aspas, mas nao posso dizer que foi pobre.

La pros meus 18 anos, tecnico conhecido e renomado de computadores no RJ, me apareceu a oportunidade de comprar um telefone celular. Como eu atendia os clientes de um grupo de fornecedores, toparam a ideia e me ajudaram a conseguir um telefone de custo razoavel. O aparelho em si era uma bosta, um Tecnophone PC205A. Mas cumpria sua função e me resolvia uma pá de problemas. E criava outros.

Esse era o 305, muito menor e mais bonito. Imagina a trosoba que era o 205? :D

Vou enumerar alguns casos aqui que acho interessantes :)

  • 18 anos, me tornando popular, la ia eu e um grupo para a "ilha dos pescadores", beber, comer e dançar. Estavamos no carro indo para o local, e uma menina que eu ainda nao conhecia me viu atender o telefone. Ai ela perguntou "É um telefone celular???", eu confirmei, e ela pediu "posso ver??". Entreguei o telefone pra ela ja esperando a proxima pergunta: "posso ligar pra minha mae?" Lembro que na epoca (92-93), voce pagava UMA FORTUNA pra ligar de um celular. Bota ai tipo 3-4 dolares o minuto. E pagava a metade disso pra RECEBER uma ligacao. Ok, ligou pra mae dela e ela falou extasiada..."MAE!!! TO TE LIGANDO DE UM TELEFONE CELULAR!!!". Foi zoada o resto da noite. Espero que o resto da vida :D
  • Nao era muito comum um rapaz pobre de 18 anos ter um celular. Um dia estou andando pela rua, de rolex no pulso, bermuda, camiseta e chinelo. E o celular no bolso. Uma viatura da policia me para e...me confunde com um TRAFICANTE DE DROGAS (!!!!!!!!!). Ate explicar que focinho de porco nao era tomada, demorou uma meia hora. Mas a situacao foi resolvida com uma carona pra casa, onde confirmaram que meu pai era policial e eu trabalhava com manutencao de computadores. ¬¬
  • Eu tinha uma cliente muito, mas MUITO arrogante. Nao vou citar nomes, mas adoraria :) Ela trabalhava com equipamentos UNIX e eu era o unico tecnico que conhecia os requerimentos e os meandros dos computadores que ela vendia/dava suporte. Afinal eu ja rodava SCO UNIX em casa nessa epoca. E falava bem ingles. Só que alem da arrogancia, ela detestava pagar. Uma vez ela me tirou do motel, de madrugada, pra reparar um defeito bobo em um servidor. Cobrei 200 dolares e ela disse que so me pagaria 40, o que nao pagava nem o taxi de ida/volta ate o local do servidor. Um dia, estou indo pro trabalho de Metrô, o telefone toca. Fora o espanto das pessoas ao meu redor (que muitos, na epoca, nao haviam sequer visto um telefone celular), ficou a bizarrice do papo. Resumindo a resposta: "Olha dona fulana, nao me entenda mal e me perdoe a falta de fineza, mas por favor, procure outro tecnico. A senhora so me traz problemas, nao paga o combinado e ainda atrasa pra pagar. Tenho certeza que a senhora encontrará outro escravo que aceite se submeter as suas exigencias e suas bondades. Tenha um bom dia!!!". E desliguei o telefone. Tomei uma bronca arrumada dos meus chefes, mas no final eles concordaram com o desfecho :o)
  • Na epoca, eu tinha uma namorada-de-metro-e-meio, e os telefones celulares alem de grandes, tinham antenas enormes. E esta distinta namorada adoraaaaaaaaaaava tirar onda com o celular na cintura (alias, ela terminou comigo quando eu tomei uma volta do meu "socio" e literalmente quebrei...). Só que, se colocasse o celular perto da lateral do corpo, a antena do celular ficava cutucando o suvaco dela :D Era uma cena engraçadissima :D 
  • Onde voce chegasse com um telefone celular na cintura, te classificava como "milionario". Eu odiava andar com aquele traste na cintura. Entao era muito comum chegar em algum lugar (mesmo de rolex submariner no pulso) e ser tratado como indigente, até receber a primeira ligação - seja de trabalho ou particular - no celular. Imediatamente eu me tornava persona muito grata :o) 
  • Offtopic: O Rolex? Foi roubado. O ladrao olhou e disse "ah, é um daqueles relogios de camelô. Que droga!". Queria eu que ele tivesse devolvido o relogio de camelô. Nunca mais tive grana pra comprar um igual :'(

3 comentários:

Rodrigo Mendes Guedes disse...

Maravilha tabajara ate 2001 eu jamais sonharia portar um celular e vc tá tinha em 92

Gabriel Parreira disse...

Cara, estou morrendo de rir com essas histórias! Já passou por cada uma hein!? E parabéns atrasado!

Alexandre Souza - PU1BZZ disse...

Ce ainda nao viu nada, Gabriel! :D Tem coisa muito mais engraçada vindo por ai :)